“Weintraub queria partir para cima do Supremo”, relata Guedes

Guedes Weintraub

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que foi ele quem sugeriu a ida do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub para o Banco Mundial. Segundo ele, a medida se deu para pacificar relação do governo com STF (Supremo Tribunal Federal).

Weintraub deixou o governo em 18 de junho de 2020. Estava no centro de atritos entre o Poder Executivo com o Legislativo e o Judiciário. O ex-chefe da Educação afirmou em reunião interministerial gravada em 22 de abril que, por ele, “colocava esses vagabundos na cadeia, a começar pelo STF” (Supremo Tribunal Federal).

Assim que anunciou sua saída, Weintraub anunciou que iria ocupar o cargo de diretor-executivo no Banco Mundial.

O super ministro da economia revelou que sugeriu a saída de Weintraub do governo por considerar que ele estava causando “um momento de muita tensão”. A declaração foi feita em entrevista à revista Veja, publicada nesta 6ª feira (18.dez.2020), após ser questionado sobre se em algum momento a democracia esteve em risco.

“Teve um momento de muita tensão, quando o Supremo sinalizou que podia apreender os telefones do presidente da República. Me lembro que teve uma reunião de ministros e o Weintraub chamando para o pau. O presidente chegou lá bufando: “Fala aí, Abraham, fala aí, Abraham”. Aí o Abraham: “Quero saber quem está comigo. Eu vou partir para cima do Supremo, e o Supremo vai querer me prender. Antes de ele me prender, vou fazer uma passeata e partir para cima do Supremo e quero saber qual ministro está comigo e quem está com os traidores”. Nessa hora, eu interferi”, disse.

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“Disse que estávamos caindo numa armadilha, que o script já estava montado, que aquilo era inapropriado. Os generais presentes me apoiaram. Sugeri ao presidente mandar o Weintraub para o Banco Mundial, em junho. A partir daí, as coisas se acalmaram entre o governo e o STF”, completou.