Operação Trapaça mostra que brasileiro continua comendo carne podre mesmo após tantas denúncias e prisões

O ex-diretor-presidente global da BRF Brasil Foods Pedro de Andrade Faria e outras nove pessoas — oito ligadas à empresa e uma gerente de um laboratório que prestava serviço para a companhia — foram presos na manhã desta segunda-feira (5), na terceira fase da Operação Carne Fraca, denominada Trapaça.

Eles irão responder por falsidade documental, estelionato qualificado e formação de quadrilha ou bando, além de crimes contra a saúde pública.

A investigação da Polícia Federal (PF) aponta que três unidades de produção de frango da BRF – em Carambeí (PR), Rio Verde (GO) e Mineiros (GO) – fraudavam os resultados dos exames para a presença da bactéria salmonela. Uma fábrica de produção de ração da empresa, em Chapecó (SC), e três laboratórios que faziam testes de qualidade com os produtos também são investigados.

ESQUEMA
De acordo com o coordenador-geral da Carne Fraca, o delegado Maurício Grillo, a BRF operava em um esquema estruturado e hierárquico que visava a fraudar deliberadamente as amostras para que se enquadrassem nos limites aceitos pelos mercados compradores. Grillo cita uma troca de e-mails entre uma técnica de qualidade da fábrica de rações em Chapecó e uma segunda funcionária, que pergunta se as medições não poderiam ser feitas “dentro da lei”. “Ter, tem, mas hoje é uma estratégia da empresa”, responde a técnica de qualidade. “A adulteração era um praxe na empresa”, explica.

AÇÃO TRABALHISTA
Segundo Grillo, granjeiros que forneciam para a companhia e uma ex-funcionária da BRF que moveu uma ação trabalhista contra a empresa foram fundamentais para a investigação.

As investigações mostram, inclusive, uma orientação do gerente jurídico da empresa a seus subordinados para quem fechem um acordo com a funcionária quanto antes, para “não deixar o processo andar, sob pena de o juiz enviar as informações para os órgãos competentes e complicar ainda mais a situação da empresa”. Outro gerente recomenda, então, que seja paga uma indenização cinco vezes maior que o normal para casos trabalhistas como aquele.

Com informações da VEJA!

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