Jean Wyllys defende que liberar as drogas seria mais inteligente para combater o crime do que uma intervenção federal

Deputado federal do PSOL e Ex-BBB, Jean Wyllys é um dos parlamentares contrários à intervenção federal na segurança do estado do Rio de Janeiro.

Leia o texto feito por Wyllys em seu Facebook oficial antes da votação:

“VOTAREMOS CONTRA A INTERVENÇÃO MILITAR: A SOLUÇÃO É OUTRA

A bancada do PSOL votará hoje contra o decreto do presidente em exercício Michel Temer que autoriza uma intervenção militar no Rio de Janeiro, pois temos convicção que essa medida não produzirá resultados melhores que todas as intervenções anteriores para garantia da segurança pública.

A intervenção militar proposta por Temer autorizaria medidas excepcionais que, em vez de trazer mais tranquilidade para os moradores, só vão lançar ainda mais terror sobre comunidades já deflagradas pela violência enquanto produzem uma espécie de show midiático que agrada a uma parcela da população que assiste às cenas de guerra pela televisão.

A militarização sempre tem o mesmo ciclo: um primeiro período de ações espetaculares que levam uma falsa sensação de maior segurança à classe média, um aprofundamento do estado de exceção que sempre reinou nas comunidades mais pobres, suspensão de fato de direitos constitucionais básicos, violações de direitos humanos, troca de tiros, violência, terror, e por fim, quando o espetáculo acaba, um saldo de milhões de reais gastos, pessoas mortas, populações inteiras vivendo sob um regime pseudo-democrático e a situação de insegurança que volta a ser a mesma de sempre, porque nada estrutural mudou.

E no fim da operação, os criminosos voltam a ocupar um vácuo de poder que, na verdade, é sempre aberto pela total ausência do Estado na garantia de direitos fundamentais, e não pelas instâncias processuais.

Para nós, a desarticulação das quadrilhas que dominam territórios seria mais eficientemente se tratada com investimentos nas inteligências das polícias, no reequipamento com tecnologia capaz de identificar as lideranças e os seus modos de atuação, com planejamento estratégico e apresentação de um plano de metas com atualização constante dos resultados. Além, é claro, de controle externo para evitar que o estado seja um parceiro do crime organizado ao mesmo tempo que promete combatê-lo com tiroteios constantes nas comunidades pobres.

E mais definitivamente se o governo parasse de ignorar que a circulação ilegal de drogas é a verdadeira fonte de dinheiro que permite os grupos criminosos se armarem com fuzis e granadas para disputa de pontos de venda, e repensasse a atual política nacional de drogas baseada no proibicionismo. Saídas mais inteligentes que operações com tanques do exército já estão em vigor com resultados inquestionáveis em mais de duas dezenas de países, e aqui continuam sendo ignoradas para que às vésperas de eleições oportunistas de plantão se portem como se fossem salvadores da pátria.

Não acreditamos em solução mágica para violência. Não achamos que depois de rios de dinheiro desperdiçados em desonerações para grandes empresários e mega eventos internacionais os pobres estarão a salvo só com tanques e soldados jovens sem o preparo para atuar como policiais. A nossa convicção para garantir segurança para os moradores está naquilo que os estudiosos em segurança recomendam, passa longe de marketeiros, e tem como prioridade a vida das pessoas.

E nada vai mudar se, além de tudo o que dissemos acima, não mudar o modelo econômico e social que abandona milhões de pessoas, aumenta a desigualdade e a miséria e mantém uma parcela da sociedade vivendo longe de qualquer política pública que não seja a do direito penal e o fuzil.”

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