Dallagnol responde Gilmar Mendes: “se começar a anular as delações, cai a Lava Jato por inteiro”

Para o coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, os “ataques” à Operação que tem como alvo as mais altas instâncias do poder têm lhe “supreendido”, disse em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã da Jovem Pan nesta terça (26).

Baseando sua comparação no que aconteceu com Operação Mãos Limpas, na Itália, o procurador federal reflete: “Eu achava que aqui (no Brasil) os grandes ataques da Lava Jato viriam do Congresso. Mas o que aconteceu nesse final de ano é que os grandes ataques à Lava Jato vieram do presidente da República (Michel Temer) e do Judiciário, de ministros do Supremo Tribunal Federal, particularmente de um ministro do STF”, afirmou.

Logo depois, Deltan deixou claro a que ministro se referia. Para o membro do Ministério Público Federal (MPF), o Supremo revoga “várias prisões preventivas em que, ao nosso ver, estão presentes os requisitos claros para que permaneça preso. A gente vê o ministro Gilmar Mendes dando uma liminar contra tudo o que se decidiu até hoje nos tribunais sobre condução coercitiva, como se a opinião dele fosse a única legítima, e nas entrelinhas chamando juízes, promotores, delegados, o país inteiro de abusadores porque fizeram condução coercitiva”, acrescentou, lembrando que o ministro proibiu em decisão monocrática as conduções.

O procurador vê outro “perigo” na postura de Gilmar. “Ele (Gilmar Mendes) já disse que o Supremo tem um encontro marcado com as delações, mesma frase que já havia dito sobre as prisões preventivas, dando a entender que começaria a soltar os presos”.

“O nosso receio agora é que o Supremo comece a mudar a posição em relação às delações. Se começar a anular as delações, cai a Lava Jato por inteiro”, projeta Dallagnol.

Fonte: Jovem Pan

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